Num dia de Saturno
Encontrei a Saturna:
(…) Com ele viviam duas mulheres: camareira uma, senhorita de nome a outra. Na cozinha e, nas duras lidas domésticas, no entanto, as duas se ajudavam mutuamente e se confundiam. Não havendo uma distinção hierárquica, a sua perfeita e fraterna camaradagem se devia ao humilhar-se da senhorita, mais do que à presunção da camareira. Esta última se chamava Saturna. Sempre vestida de preto a causa da recente viuvez, era alta e magra. Seca. Havia olhos negros e uma postura um tanto quanto masculina. A perda do marido pedreiro, numa queda no trabalho, lhe havia consentido de colocar o filho num orfanato para que ela pudesse trabalhar, pela primeira vez na sua vida.(…)
Tradução livre de Tristana, de Benito Pérez Galdós.
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