Maria Bueno
Posted on 23 janeiro 2010 por:
João Acuio

por Alfredo Andersen
O povo é um inventa-línguas e um inventa-santos. Maria Bueno, santa canonizada pelo povo curitibano, repudiada pela Igreja, foi assassinada a navalhadas pelo amante ciumento no dia 29 de janeiro de 1893. A Lua estava em Câncer, no signo da Mãe, e o Sol em Aquário, no signo dos acidentes, segundo alguns. Quem conta bem essa história é o Valêncio Xavier. Resumindo, seguindo Xavier, a história de Maria Bueno, a santa curitibana, é mais ou menos assim:
De cor parda (sic), 28 anos, lavadeira, Maria Conceição Bueno teve quase a cabeça separada do corpo e as mãos à navalhada. Note o ‘quase’, por favor. Motivo? Ciúmes. Mas há controvérsias. Segundo a versão dos detratores de Maria, Diniz, seu amante, teria a proibido de ir ao bordel naquela noite. Ela desobedeceu. Como castigo, foi assassinada. Segundo os devotos, Maria Bueno foi morta ao resistir à tentativa de Diniz de estuprá-la, quando voltava de seu trabalho como lavadeira. Seu amante, Inácio José Diniz, foi preso, julgado e… absolvido.
Anos mais tarde, Diniz comete latrocínio quando da invasão pelas tropas federalistas. Pelo crime teria sido degolado por ordens do comandante federalista Gumercindo Saraiva. Para os fiéis de Maria Bueno, este é o primeiro milagre da santa: teria feito justiça com as próprias mãos. Uma santa justiceira.
Por ser prostituta, segundo alguns, os padres da Matriz recusam-se a enterrá-la. Missa? Muito menos. Outro motivo da recusa dos padres seria por Bueno ser praticante de outra religião. Umbanda? Candomblé? Maria Bueno pomba-gira?
Em 1948, Sebastião Isidoro Pereira psicografa “Maria Bueno”. Nesta visão, a santinha seria morretense, a última filha de 7 filhas mulheres. Convive com os maus tratos do pai alcoólatra e por isso vai viver com a irmã em São Luis do Purunan. Bonita, Maria Bueno provoca amores pecaminosos por parte do seu cunhado. Prevendo o pior, decide ingressar-se num convento. No entanto, os padres mandam-na para Curitiba, aos cuidados de um casal de velhos. Morto o marido, passa a ajudar a viúva fazendo serviços domésticos.
Na madrugada da sua morte, atendia uma festa, quando recebe um chamado da viúva. Embora fosse tarde, retorna para casa atravessando um matagal na rua Campos Gerais, a atual Vicente Machado, entre Visconde de Nácar e Visconde do Rio Branco. Zona do meretrício da época. Lá se encontra Diniz, emboscado. Tenta violentá-la e, ao defender-se, é degolada. Essa versão é adotada pelos devotos.
Arnaldo Azevedo, da década de 60, cria a Irmandade Maria Bueno e resolve construir uma capela no túmulo dela. 7 virgens, médiuns e 7 videntes são convocados. Através de uma das virgens em transe, Maria Bueno concorda com a construção, reconhece como sua foto onde uma moça veste blusa com zíper. Foto essa que vai orientar um menino de dez anos a esculpir a imagem da “branca” Maria Bueno. A capela no túmulo é inaugurada no Cemitério Municipal em 1962. Com a construção novas lendas ao culto. Uma delas é a ocasião do incêndio provocado por ladrões ao tentar roubar o cofre onde os fiéis depositam suas doações. Maria Bueno teria apagado o fogo.
Os pedidos para Maria Bueno, no início, eram para casos de amor. Hoje em dia, faz milagres de cura.
Maria Bueno devolveu a fé a Raul Cruz.
Maria Bueno rendeu livros, estudos, peças de teatro (Raul Cruz), telas (a imagem acima é de Alfredo Andersen), filmes e continuará rendendo. O povo inventa-santos precisa cultuar sua imaginação.Maria Bueno é a Vênus em Peixes do mapa de Curitiba.

janeiro 24th, 2010 at 10:01
A companhia de teatro rainha de duas cabeças tbém prestou uma homenagem a Maria Bueno no ano de 2007, sob direção de Cesar Almeida, numa temporada no novelas curitibanas, o espetáculo foi um SUCESSO de público e crítica.Durante o processo de ensaio nós atores descobrimos que Maria Bueno tinha uma amiga que se chamava Estrela que havia apresentado a Umbanda pra ela…E que seu primeiro milagre, se constituiu em uma vela simples deixada por essa amiga ao lado de sua cabeça, quase decapitada.A vela que normalmente demoraria horas pra apagar ficou exatamente sete dia acesa… Eu que fazia o espetáculo…fiquei muito emocionada com várias histórias que me foi apresentada…mas principalmente o carinho dos devotos.Maria Bueno continua presente na vida de fé das pessoas dessa nossa cidade.
Ludmila
janeiro 24th, 2010 at 10:08
Ah…
Foi descoberto três tatuagens no corpo …
Contemporânea essa Maria Bueno…!
janeiro 24th, 2010 at 11:10
Como, Ludmila? Tatuagens? Sou completamente fascinado o que o povo faz com os seus santos.
janeiro 24th, 2010 at 11:58
Não conhecia . Gostei. è como q uma resposta ao descaso da autoridade face ao machismo predominante.
janeiro 24th, 2010 at 13:40
Ah! já tive muito medo da Maria Bueno…
Naquela casa onde foi o Dromedário ela morou.
Bem, antes mesmo de saber dela eu já morria de medo de ficar lá sozinha. Quando eu tinha que abrir o bar, ou contar estoque, ficava rezando pra hora passar logo e chegar alguem pra ficar comigo, ou ainda quando tinha de ir até o estoque na noitada, tremia feito vara verde, subia e descia as escadas várias vezes, até ter coragem, entrar correndo, pegar e voltar correndo. Se tivesse que procurar o produto o caos estava feito. Não achava mesmo, de medo. Sempre sentia um vulto atrás de mim.
Inexplicável!
Sensação horrorosa. (Lua, Netuno e Nodo Norte na 12, talvez expliquem melhor).
Certo dia, minha irmã foi comigo abrir o bar. Ufa! Companhia. lá pelas tantas ela vai ao banheiro e volta esbaforida, branca, transparente: “- Ví uma moça de branco sorrindo pra mim…” ah! meu irmão, não tive dúvida, desci a escadaria e a Yeda fiquei esperando lá na calçada. O Val (o cozinheiro) chegou, intrigado perguntou. Relatamos.
Ele riu e disse: “Ah! é a Maria Bueno.”
“-Quem é Maria Bueno?”
“- A moça que morou aqui. Dizem que ela morreu vestida de noiva…” Pronto, minha imaginação borbulhou.
Fato é: Nunca mais fiquei sozinha no Dromedário.
Outro fato é que no estacionamento atrás de onde eram os banheiros, tem um altar dedicado a ela, onde se queimam velas todos os dias. Bem embaixo das janelas do banheiro…
Já tive muito medo desta moça.
Até hoje ela mexe com o meu imaginário.
janeiro 24th, 2010 at 23:44
just WOW !
março 31st, 2010 at 6:53
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