O signo da Virgem e Robert Crumb
Nervoso.
Sim, Virgem é um signo nervoso, segundo a nomenclatura antiga.
Mas o que isso quer dizer?
Isso quer dizer isso mesmo: nervoso. Um ser ansioso, vamos dizer assim.
Agora, por outro lado, Virgem também é prestativo, útil, concentrado.
Seus filhos são atentos ao outro, ao trabalho que ocupam. Preferem trabalhar sozinhos.
O desenhista, por exemplo, com suas apuradas técnicas e instrumentos, é um exemplo deste princípio. O garçom, outro exemplo.
Servir é uma arte discreta. E não há nada pior que um garçom egocêntrico.
Ser discreto é uma qualidade de Virgem. Para alguns, um inferno:
“Ô Geraldo, vem dançar aqui com a gente, vem Geraldo?!”
“Não vou, não quero, fica todo mundo olhando, todo mundo reparando.” (Grupo Rumo)
Lembro de Robert Crumb, no seu documentário, ele mesmo um virginiano, lembrando que quando encontrou Janis Joplin, ela pedia a ele:
“Ô Robert, que tal uma calça boca de sino, deixar o cabelo crescer… tu tá muito caretão!”

Crumb, com sua roupa cinza, careta, um genuíno uniforme, não entendia qual era o problema nela. Sempre a usou. Outro que usa uniforme, sempre a mesma roupa, é o Arnaldo Antunes, um virginiano.
Porque precisava deixar o cabelo crescer? Para ser loucão?
Bem, Crumb deve ter pensado: “Woodstock não conhece a minha família!!!”
Tem algo em Virgem que é um impulso em viver sozinho, puro, isolado do entorno.
Crumb não mudou suas roupas, mas tomou uns ácidos na ocasião. Coisa que mudou muito o seu trabalho. Mas continuou sendo um artista detalhista, talentoso, incansável, solitário, o mesmo homem que mudou a história dos quadrinhos e tinha, teve, e tem, horror ao culto da celebridade.
“Ô Geraldo… ”
Desenhar é mais um trabalho como qualquer outro, deve ter pensado, virginianamente, na ocasião.
Seguramente menos fundamental do que o trabalho do lixeiro, deve ter acrescentado na sua consideração.
Angeli, outro virginiano, não seria ninguém sem ter sugado, como um vampiro, a veia de Crumb.
Angeli tem uma série chamada, se não me engano, de tipos urbanos. Crumb desenhava estes tipos. Sua inspiração era a própria rua. Assim como a do Angeli, creio.
Detalhes da jaqueta de um rocker, o brinco de um hippie, a tatuagem de uma junkie. Observando. Apropriando do que lhe gritava a atenção. Assim eles compunham seus personagens. Apreendendo a realidade, louca e multifacetada por si só.
Em ambos, lá está Virgem:
na ocupação do detalhe que, ao passar do tempo, torna-se uma coleção de traços obsessivos;
Virgo no humor ácido, cirúrgico, tiro certeiro (o que são os cartuns políticos do Angeli?);
na retratação da vida como ela é, mundana, essencialmente mundana, sem mistérios ou misticismos;
a crítica, sempre a crítica, ou para usar uma linguagem alquímica, o depuro, o depuro sempre.
Em Crumb, uma obsessão a mais: mulheres gigantes ao lado de homens pequeninos.
Isso ocorre como uma praga nos homens virginianos. No imaginário dos seus filhos, uma mãe, gigantesca, onipresente, terrível.
Em outras palavras: uma mãe que não deixou seu filho errar e se sujar.
Desenhar a mulher, em suas mais diferentes formas, foi a maneira que Crumb achou para dominá-la, vencê-la, expurgá-la, exorcizá-la.
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texto publicado originalmente no blog Num Dia de Júpiter Na Hora de Marte, ano 2007.


É o meu ascedente e o texto caiu como uma luva, para mim!!!!
A Virgo tem um impulso fortíssimo em viver sozinha, pura e isolada.
Acuio, a Greta Garbo tinha o signo solar em Virgem… no auge da carreira, por razões desconhecidas, Greta abandonou a carreira e se isolou de Hollywood, da mídia e do mundo. Passou a vida inteira evitando ser reconhecida ou lembrada.
Faz parte do enredo de Virgem sim, a recusa do mundo. Assim como Erígone, retira-se da companhia corrupta inerente ao convívio humano.
No fundo quem sofre mais são os próprios virginianos por exigirem tanto de si e do mundo. Claro, depende do mapa [e isto aprendi com você, João], mas uma Lua em Virgem pode ser terrível na vida da pessoa. Ou ácida estomacal?
Não, Lua em Virgem não dói!
Eu gosto da minha “VIRGLUA”
Nunca sofri de azia, meu estômago é de ferro e meus intestinos são uns reloginhos!!!
A Dona Norma determina que todo virgo adoeça com mentiras, hipocrisia e cretinice voluntária.
Com o tempo o virginiano aprende a diluir o veneno. É como faz a velha personagem do Nelson Rodrigues quando a crise se instala: “Tá na hora da homeopatia!” Saca? Afinal, o que não mata cura,né?
Por isso,Virgo bom é sempre um pouco mentiroso, hipócrita e cretino!!
Tudo dose certa,claro! Ou então é o exílio!
Tenho dito.