
E a lei antifumo entra em vigor hoje, em Sampa. E aí o que você acha? Sabe, eu fui fumante durante alguns bons anos. Quando comecei, meu pai era já um ex-fumante e me disse BASTANTE irritado: ‘Na minha época, se dizia que fumar fazia bem pro raciocínio, era uma coisa incentivada, charmosa. Hoje não é mais assim. Quem começa a fumar, hoje, é porque é burro mesmo.’ Levei um senhor esporro. Mas quando eu ficava sem cigarro ele era o primeiro a se oferecer a sair para comprar, dizendo: ‘Eu sei bem o que é ter vontade de fumar e não poder’.
Eu parei há cinco exatos anos, quando senti que estava perdendo fôlego. Meu pai havia parado pelo mesmo motivo. E hoje me sinto como ele, sou contra o cigarro, sim. Não gosto do cheiro, muito menos da fumaça. Cigarro faz mal para a saúde como um todo: pulmões, dentes, pele, etc, etc. Mas não sou contra os fumantes. E ninguém me pediu para parar de fumar e nem me obrigou a fazê-lo. Certa vez, li um texto que dizia que todo o vício esconde uma carência muito grande. E que as pessoas conseguem superar o vício quando descobrem a origem dessa carência. Acontece que, muitas vezes, essa origem não se revela facilmente para muitas pessoas. Por isso, muitas vezes, se troca um vício por outro.
Em dezembro de 2007, dias antes do Natal, eu estava em Paris. Estava num café e era véspera da entrada em vigor da lei antifumo, em locais fechados. Havia uma mulher com um livro e um cigarro na mão. Eu bem sei da satisfação que é estar em companhia de um e de outro. Seria a última vez que ela poderia fazer aquilo na capital parisiense. E eu fiquei ali a contemplá-la, cúmplice não ativa do seu prazer. Meses depois, eu fui para Madrid e estava num restaurante almoçando, onde todos fumavam à minha volta. O ar era irrespirável. Comida e fumaça de cigarro, realmente, não combinam. Aqui na Itália, desde que cheguei, é proibido fumar em locais públicos e fechados. Aqui muita coisa é ‘assolutamente vietato’. E se fuma muito mais do que no Brasil. Os europeus de um modo geral fumam muito.
Tem a questão dos fumantes passivos, mas eu me pergunto, locais com estrutura adequada para tal, não poderiam ter alas para fumantes? Com janelas e ventilação, por exemplo? É uma pergunta mesmo, porque,
na real, não tenho opinião formada sobre o assunto. Mas me incomoda muito essa ação radical do Estado, assim, sobre os vícios alheios. Pessoas são delicadas. Acho que educação e prevenção funcionam muito mais do que leis proibindo. E bom senso também. E isso não é nenhuma apologia ao uso de cigarro.
E você? Diga aí nos comentários sua opinião!