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Archive for the ‘Estrelas’ Category

O Caçador tem as 3 Marias em seu cinturão

quarta-feira, novembro 4th, 2009

Você sabe encontrar as 3 Marias no céu? Então, pronto! Achou Órion, o Caçador. O cinturão do Caçador são formadas pelas estrelas Alnitak, Alnilam, Mintaka  (veja aqui: Touro e Órion), que são as 3 Marias, como as chamamos por essas bandas de cá. Só não vá apontar o dedo para algumas delas, senão verrugas nascerão.

Sobre o nascimento de Órion há quem conte a seguinte história:

Era uma vez Hirieu, um humilde apicultor, que jurou não ter filhos, tornando-se velho e impotente. Um dia quando Zeus e Hermes, disfarçados, desfrutavam de sua hospitalidade, perguntaram-lhe qual seria a dádiva que ele mais desejava. Hirieu respondeu-lhes que o que mais queria era ter um filho. Os deuses o aconselhavam a sacrificar um touro (ó o Caçador perto do Touro), urinar sobre sua pele e depois enterrá-lo na tumba de sua esposa que havia morrido precocemente. Assim Hirieu fez, e, nove luas depois, nasceu seu filho, a que ele chamou de URION – “aquele que urina”. Aliás, se diz que tanto o ocaso quanto o surgimento da constelação de Órion trazem consigo a chuva.

Órion é um mijão.

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Touro e Órion

quarta-feira, novembro 4th, 2009

O comentário do João no post da Luna Piena de ontem me levou diretamente para um livro de estrelas fixas chamado: Conoscere le stelle – Studio astronomico e Astrologico de Marco Gambassi, um astrólogo que conheci e entrevistei, há dois anos atrás, em Florença, na Itália. Marco foi pro sul da América estudar o céu. Tric-tric, não? O livro traz um estudo original de anos de pesquisas e nos oferece um céu para além dos planetas e das estrelas principais, com instrumentos astronômicos para vê-las. Descreve sua origem etimológica, mitológica e simbólica. Com esse livro, o autor ganhou o primeiro lugar num concurso nacional que premia estudos inéditos em Astrologia, chamado “Serena Foglia”, no ano de 2000.

Deixo aqui, numa tradução livre,  um trecho pra vocês:

O complexo astral de Touro e Órion

As vizinhas constelações de Touro e Órion lembram potencia imaginativa e  força física devastadora, e enchem o céu com as suas estrelas brilhantes e pitorescas. Alguns atributos do signo de Touro podem referir-se ao mito de Órion, o qual parece ainda hoje ameaçar as vizinhas plêiades que voam alto no céu.

Touro e Órion ocupam os mesmos graus zodiacais por boa parte de suas extensões. E há, em suma, uma sinergia Touro-Órion que se reflete no plano da vida, o plano eclíptico onde deita-se a Terra e o Sol.

Um outro complexo temático interessante é aquele de Órion-Escorpião, da sinalizar que o mito quer que o Escorpião mate Órion. Mais sobre Escorpião, aqui: O Mito do Escorpião é um enigma. Neste caso se trata de duas constelações opostas. Órion e Escorpião foram postos no céu como grandes constelações: talvez  as mais imponentes do céu, ainda que o Escorpião seja visível plenamente somente em lugares mais meridionais. E se olharmos o céu, no outono ou inverno , na direção sul, veremos um grande complexo de estrelas muito luminosas que lembram uma sólida figura de costas muito largas e de estreita cintura que porta uma espada. É o gigante Órion!

Orion

Post scriptum: people, constelação é um amontoado de estrelas e os signos são a linguagem que se criou a partir da observação delas. Hoje, astronomicamente uma coisa não corresponde mais a outra, por causa do movimento de precessão, do movimento para trás da Terra com relação à esfera celeste. Os antigos, na época de Ptolomeu, assim criaram a linguagem astrológica e não tinham esse problema, essa pedra no sapato que temos hoje. Mas linguagem é linguagem. Linguagem é símbolo, é metáfora e tem a sua força. E põe força nisso. Ou alguém duvida da força que tem a linguagem astrólogica, a linguagem humana, ou aquela emocional? Por isso, a gente segue utilizando-a. Utilizando a voz que as estrelas tinham àquela época e, que tem, até hoje.

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Um estranho em Goa

sábado, agosto 8th, 2009

(…) Assusta um pouco mergulhar nas águas nocturnas, sentindo o lodo debaixo dos pés, e vendo as luzes a dançar ao longe. Ao mesmo tempo sente-se ascender de toda aquela imensa massa líquida uma espécie de força pacificadora que, docemente, nos empurra para o abismo. Coloquei os óculos de mergulho, esvaziei os pulmões, e deixei-me afundar lentamente. Vi formar-se entre os meus dedos a ardência marítima, fenômeno a que no Brasil também se chama buxiqui, provocado pela existência na água de minúsculos protozoários de corpo luminescente. Estrelas desprendiam-se aos mais pequenos dos meus gestos, ficavam um pouco à deriva formando desenhos de luz, e depois dispersavam-se e subiam, juntando-se à outra noite, ao outro rio, às nítidas constelações que flutuavam lá em cima-na eternidade.
Chamei Lili e ficamos algum tempo a brincar aos deuses, em silêncio, criando estrelas com um simples gesto. Mais tarde, estendidos nas cadeiras, Lili mostrou-me no céu o desenho formado por um grupo de treze frágeis pontos luminosos. Parecia uma papagaio de papel com uma longa cauda quebrada.
-É difícil vê-la nesta altura do ano, -disse-é muito raro. Apresento-te a Constelação de Draco.
Depois despiu o fato de banho e mostrou-me o peito. A pele dela parecia iluminada por dentro. Tive a certeza de que continuaria a ver, mesmo sem a débil luz do único candeeiro existente na praia. Lembrei-me de um verso terrível de Sylvia Plath, my skin bright as a Nanzi lampshade, a minha pele brilha como um abajur Nazi. Viam-se distintamente treze pequenos sinais negros, dispostos entre os dois mamilos como as estrelas de Draco. Se lhe fotografassem o peito o negativo dessa imagem seria semelhante àquele céu.
-A estrela Alpha Draconi, ou Thuban, era há 4.800 anos a estrela polar, ou seja, estava posicionada directamente sobre o polo norte. Os antigos acreditavam que o polo celeste era a porta entre este mundo e a eternidade e por isso fazia sentido que, a guardá-la, estivesse um dragão.
Eu não sabia o que pensar.
-Se nos encontrarmos numa próxima encarnação, -suspirou Lili- e eu tiver uma aparência muito diferente, ainda assim saberás quem sou por causa destes sinais.
Disse-lhe que não gostaria que ela fosse diferente, nem pouco nem muito, achava-a perfeita assim. Quanto a mim, qualquer coisa servia, poderia reencarnar numa abóbora ou num gafanhoto, contando que não fosse outra vez em Angola. (…)

O angolano José Eduardo Agualusa é um dos maiores escritores africanos de língua portuguesa da atualidade. Estou devorando o seu livro. E tal fenômeno, o dos protozoários luminescentes, chamado buxiqui, eu mesma presenciei, em Ibiraquera, Santa Catarina. :D

Para os que querem ver a Constelação de Draco, hoje, ei-la:

540px-Draco_constellation_map

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