O comentário do João no post da Luna Piena de ontem me levou diretamente para um livro de estrelas fixas chamado: Conoscere le stelle – Studio astronomico e Astrologico de Marco Gambassi, um astrólogo que conheci e entrevistei, há dois anos atrás, em Florença, na Itália. Marco foi pro sul da América estudar o céu. Tric-tric, não? O livro traz um estudo original de anos de pesquisas e nos oferece um céu para além dos planetas e das estrelas principais, com instrumentos astronômicos para vê-las. Descreve sua origem etimológica, mitológica e simbólica. Com esse livro, o autor ganhou o primeiro lugar num concurso nacional que premia estudos inéditos em Astrologia, chamado “Serena Foglia”, no ano de 2000.
Deixo aqui, numa tradução livre, um trecho pra vocês:
O complexo astral de Touro e Órion
As vizinhas constelações de Touro e Órion lembram potencia imaginativa e força física devastadora, e enchem o céu com as suas estrelas brilhantes e pitorescas. Alguns atributos do signo de Touro podem referir-se ao mito de Órion, o qual parece ainda hoje ameaçar as vizinhas plêiades que voam alto no céu.
Touro e Órion ocupam os mesmos graus zodiacais por boa parte de suas extensões. E há, em suma, uma sinergia Touro-Órion que se reflete no plano da vida, o plano eclíptico onde deita-se a Terra e o Sol.
Um outro complexo temático interessante é aquele de Órion-Escorpião, da sinalizar que o mito quer que o Escorpião mate Órion. Mais sobre Escorpião, aqui: O Mito do Escorpião é um enigma. Neste caso se trata de duas constelações opostas. Órion e Escorpião foram postos no céu como grandes constelações: talvez as mais imponentes do céu, ainda que o Escorpião seja visível plenamente somente em lugares mais meridionais. E se olharmos o céu, no outono ou inverno , na direção sul, veremos um grande complexo de estrelas muito luminosas que lembram uma sólida figura de costas muito largas e de estreita cintura que porta uma espada. É o gigante Órion!

Post scriptum: people, constelação é um amontoado de estrelas e os signos são a linguagem que se criou a partir da observação delas. Hoje, astronomicamente uma coisa não corresponde mais a outra, por causa do movimento de precessão, do movimento para trás da Terra com relação à esfera celeste. Os antigos, na época de Ptolomeu, assim criaram a linguagem astrológica e não tinham esse problema, essa pedra no sapato que temos hoje. Mas linguagem é linguagem. Linguagem é símbolo, é metáfora e tem a sua força. E põe força nisso. Ou alguém duvida da força que tem a linguagem astrólogica, a linguagem humana, ou aquela emocional? Por isso, a gente segue utilizando-a. Utilizando a voz que as estrelas tinham àquela época e, que tem, até hoje.