-

Archive for the ‘Lua Nova de Capricórnio 2010’ Category

O velho é o rei dos animais

sábado, janeiro 30th, 2010

Ontem, dia 29 de janeiro de 2010, Globo Repórter. Assunto: como os velhinhos se viram quando estão bem velhinhos. Contou causos de velhinhos, mas bem velhinhos mesmo, 90 a 110 anos, que, diante da porta da morte, vão lá pegar a enxada e o lápis da alfabetização. E repare na vaidade leonina das moças e dos rapazes. E neste video linkado, repare também na inveja da véia atrás da véia protagonista. A inveja alheia é uma coisa sem idade, eterna. Anotação astrológica: Globo Repórter Lua em Leão, Lua Cheia da lunação da Cabra, a do Velho. Lua Cheia do Leão na lunação da Cabra, o velho (Capricórnio) é cheio de fera, coragem e coração (Leão). O velho é o rei dos animais.

Tags:

Dias 16 e 17, solidariedade, saudade

sábado, janeiro 16th, 2010

Salve, Saturnálicos! A lunação da Cabra apenas começou. Hoje a Lua segue em Aquário – o guardião da água potável da comunidade. Aquário ensina que fazer pelos outros é fazer para si. Leia mais sobre Aquário, aqui: o mito de Ganimedes

(Você que tem a Lua em Aquário, uma curiosidade: é muito comum a quem tem essa Lua, o convívio e o gosto por pessoas mais velhas. Ou quando mais velho, por pessoas mais novas. Confere?)

Se você pegar as efemérides astrológicas, tabela com as posições celestes dia após o outro, verá que neste sábado a Lua se oporá a Marte, o Deus da Guerra. Para ser virginiamente preciso, isso acontecerá às 21h14, horário de Brasília. Antes e um pouco depois do aspecto, estamos sob essa influência. (Efemérides em pdf, clique aqui: Efemérides Astrológicas)

Marte é significador de acidentes, mas também indicação de força, comando e progresso através do trabalho. Hoje no Haiti, por exemplo, será dia de muito trabalho, de revirar os escombros, de solidariedade e esperança aquarianas. Hoje é um dos dias de quem pode mais faz por quem pode menos. No seu paraíso ou Haiti particular, será um dia de camaradagem e de algum progresso também.

Entre outras coisas, Marte é o significador do exército. Marte está no seu movimento retrógrado. A Lua está em Aquário, o signo da solidariedade, que procura estender a mão irmã ao seu irmão, mesmo que este lhe pareça estranho. Assim sendo, exército bom hoje (Marte) é aquele que não faz guerra, mas volta (retrógrado) para salvar seu estranho semelhante e preservar a água potável, a comida, a ordem pelo bem todos (Aquário). O ser humano descamba fácil à barbárie.

E o mundo de luto por Zilda Arns. Zilda se tornou pedra.

O mundo com meia dúzia a mais de Zildas, seria muito melhor.

Bom sábado, dia de Saturno, a todos.

Amanhã, domingo, dia do Sol, a Lua encontra Netuno em Aquário e faz o dia pegar no sonho e também aumentar ainda mais o sentido de solidariedade. Logo depois da meia-noite, horário de Brasília, Júpiter ingressará Peixes, trazendo consigo a marca do ano de 2010: o exemplo de vida de Dona Zilda. Depois conto mais sobre Júpiter em Peixes.

Bom domingo, dia do Sol, pra você também. Reflita, sinta.

Tags: , ,

Poemas(s) da Cabra por João Cabral de Melo Neto

sexta-feira, janeiro 15th, 2010

Poema(s) da Cabra

João Cabral de Melo Neto

Nas margens do Mediterrâneo
não se vê um palmo de terra
que a terra tivesse esquecido
de fazer converter em pedra.

Nas margens do Mediterrâneo
Não se vê um palmo de pedra
que a pedra tivesse esquecido
de ocupar com sua fera.

Ali, onde nenhuma linha
pode lembrar, porque mais doce,
o que até chega a parecer
suave serra de uma foice,

não se vê um palmo de terra
por mais pedra ou fera que seja,
que a cabra não tenha ocupado
com sua planta fibrosa e negra.

1

A cabra é negra. Mas seu negro
não é o negro do ébano douto
(que é quase azul) ou o negro rico
do jacarandá (mais bem roxo).

O negro da cabra é o negro
do preto, do pobre, do pouco.
Negro da poeira, que é cinzento.
Negro da ferrugem, que é fosco.

Negro do feio, às vezes branco.
Ou o negro do pardo, que é pardo.
disso que não chega a ter cor
ou perdeu toda cor no gasto.

É o negro da segunda classe.
Do inferior (que é sempre opaco).
Disso que não pode ter cor
porque em negro sai mais barato.

2

Se o negro quer dizer noturno
o negro da cabra é solar.
Não é o da cabra o negro noite.
É o negro de sol. Luminar.

Será o negro do queimado
mais que o negro da escuridão.
Negra é do sol que acumulou.
É o negro mais bem do carvão.

Não é o negro do macabro.
Negro funeral. Nem do luto.
Tampouco é o negro do mistério,
de braços cruzados, eunuco.

É mesmo o negro do carvão.
O negro da hulha. Do coque.
Negro que pode haver na pólvora:
negro de vida, não de morte.

3

O negro da cabra é o negro
da natureza dela cabra.
Mesmo dessa que não é negra,
como a do Moxotó, que é clara.

O negro é o duro que há no fundo
da cabra. De seu natural.
Tal no fundo da terra há pedra,
no fundo da pedra, metal.

O negro é o duro que há no fundo
da natureza sem orvalho
que é a da cabra, esse animal
sem folhas, só raiz e talo,

que é a da cabra, esse animal
de alma-caroço, de alma córnea,
sem moelas, úmidos, lábios,
pão sem miolo, apenas côdea.

4

Quem já encontrou uma cabra
que tivesse ritmos domésticos?
O grosso derrame do porco,
da vaca, do sono e de tédio?

Quem encontrou cabra que fosse
animal de sociedade?
Tal o cão, o gato, o cavalo,
diletos do homem e da arte?

A cabra guarda todo o arisco,
rebelde, do animal selvagem,
viva demais que é para ser
animal dos de luxo ou pajem.

Viva demais para não ser,
quando colaboracionista,
o reduzido irredutível,
o inconformado conformista.

5

A cabra é o melhor instrumento
de verrumar a terra magra.
Por dentro da serra e da seca
não chega onde chega a cabra.

Se a serra é terra, a cabra é pedra.
Se a serra é pedra, é pedernal.
Sua boca é sempre mais dura
que a serra, não importa qual.

A cabra tem o dente frio,
a insolência do que mastiga.
Por isso o homem vive da cabra
mas sempre a vê como inimiga.

Por isso quem vive da cabra
e não é capaz do seu braço
desconfia sempre da cabra:
diz que tem parte com o Diabo.

6

Não é pelo vício da pedra,
por preferir a pedra à folha.
É que a cabra é expulsa do verde,
trancada do lado de fora.

A cabra é trancada por dentro.
Condenada à caatinga seca.
Liberta, no vasto sem nada,
proibida, na verdura estreita.

Leva no pescoço uma canga
que a impede de furar as cercas.
Leva os muros do próprio cárcere:
prisioneira e carcereira.

Liberdade de fome e sede
da ambulante prisioneira.
Não é que ela busque o difícil:
é que a sabem capaz de pedra.

7

A vida da cabra não deixa
lazer para ser fina ou lírica
(tal o urubu, que em doces linhas
voa à procura da carniça).

Vive a cabra contra a pendente,
sem os êxtases das decidas.
Viver para a cabra não é
re-ruminar-se introspectiva.

É, literalmente, cavar
a vida sob a superfície,
que a cabra, proibida de folhas,
tem de desentranhar raízes.

Eis porque é a cabra grosseira,
de mãos ásperas, realista.
Eis porque, mesmo ruminando,
não é jamais contemplativa.

8

O núcleo de cabra é visível
por debaixo de muitas coisas.
Com a natureza da cabra
outras aprendem sua crosta.

Um núcleo de cabra é visível
em certos atributos roucos
que têm as coisas obrigadas
a fazer de seu corpo couro.

A fazer de seu couro sola,
a armar-se em couraças, escamas:
como se dá com certas coisas
e muitas condições humanas.

Os jumentos são animais
que muito aprenderam com a cabra.
O nordestino, convivendo-a,
fez-se de sua mesma casta.

9

O núcleo de cabra é visível
debaixo do homem do Nordeste.
Da cabra lhe vem o escarpado
e o estofo nervudo que o enche.

Se adivinha o núcleo de cabra
no jeito de existir, Cardozo,
que reponta sob seu gesto
como esqueleto sob o corpo.

E é outra ossatura mais forte
que o esqueleto comum, de todos;
debaixo do próprio esqueleto,
no fundo centro de seus ossos.

A cabra deu ao nordestino
esse esqueleto mais de dentro:
o aço do osso, que resiste
quando o osso perde seu cimento.

*

O Mediterrâneo é mar clássico,
com águas de mármore azul.
Em nada me lembra das águas
sem marca do rio Pajeú.

As ondas do Mediterrâneo
estão no mármore traçadas.
Nos rios do Sertão, se existe,
a água corre despenteada.

As margens do Mediterrâneo
parecem deserto balcão.
Deserto, mas de terras nobres
não da piçarra do Sertão.

Mas não minto o Mediterrâneo
nem sua atmosfera maior
descrevendo-lhe as cabras negras
em termos da do Moxotó.

Texto extraído do livro “João Cabral de Melo Neto – Obra completa”, Editora Nova Aguilar – Rio de Janeiro, 1994, pág. 254.

***

João é um Capricórnio com Lua em Virgem.

Tags: ,

Dia 15, Lua Nova da Cabra

sexta-feira, janeiro 15th, 2010

Salve, Saturnálico!

Lua Nova da Montanha, a Lua Nova da Cabra, é hoje, foi hoje. Às 05:12, horário de Brasília. Lua Nova no maior breu. Lua Nova ainda na quinta-feira, dia de Júpiter. Do ponto de vista astrológico, o dia apenas nasce quando nasce o sol. Já teci alguns comentários sobre esta lunação (ciclo lunar a que estamos todos submetidos até dia 13 de fevereiro), aqui: Dia 14, Lua Nova da Cabra Mas tem mais. Mas vou resumir.

Qual a montanha que quer conquistar? No lugar da “montanha” leia-se objetivo. Qual é a montanha que quer vencer nos próximos 3 meses (até 14 de abril). Haiti precisará de mais tempo, mas já é um bom começo a ajuda internacional e ironia do destino. Capricórnio abre o tempo composto por ele, Aquário e Peixes. Durante a lunação da Cabra (até dia 13 de fevereiro), faça um plano de conquista da sua montanha. Mas, por favor, uma montanha de cada vez, e não uma montanha de problemas. Afinal, a montanha insiste em ficar lá, parada.

Para vencer a montanha, seja Cabra. E também:

1) estabeleça prioridades;
2)  estude o percurso e os recursos necessários para atingir suas prioridades (leve o mínimo necessário);
3) ponha prazo para cada etapa de conquista;
4 )e tenha força de vontade a cada respiro.

Hoje Mercúrio cessa o seu passo moonwalk, embora no momento da lunação continue retrógrado. Volta a andar pra frente às 14h53 (horário de Brasília). A inteligência volta estar a serviço da construção do edifício, e não apenas da reforma e correção de erros, mas também. Inteligência programática, seca e fria, objetiva, reflexiva. Até a Lua Crescente, amadureça o seu plano de ação, de guerra, de conquista da sua montanha. Seja Cabra, cabra!

O negro da cabra é o negro
da natureza dela cabra.
Mesmo dessa que não é negra,
como a do Moxotó, que é clara.

O negro é o duro que há no fundo
da cabra. De seu natural.
Tal no fundo da terra há pedra,
no fundo da pedra, metal.

O negro é o duro que há no fundo
da natureza sem orvalho
que é a da cabra, esse animal
sem folhas, só raiz e talo,

que é a da cabra, esse animal
de alma-caroço, de alma córnea,
sem moelas, úmidos, lábios,
pão sem miolo, apenas côdea.

(João Cabral)

Mais sobre a Lunação da Cabra, a qualquer momento.

Salve!

Tags: ,

Dia 14, Lua Nova da Cabra

quarta-feira, janeiro 13th, 2010

Salve, Saturnálicos! Estamos às vésperas da Lua Nova da Cabra. O casamento do Sol com a Lua no grau 26 de Capricórnio acontecerá sexta-feira, dia 15, às 05h12, horário de Brasília. Logo depois do eclipse anular do sol que, aliás, não será visto pelo Brasil. A Lua Nova da Cabra diz adeus à Lua Nova Bárbara, a da cavalaria selvagem e inicia mais um novo ciclo lunar que irá até 13 de fevereiro, quando da Lua Nova do Aquário. (Recebi um email de Cabala promovendo a Lua Nova de Aquário para agora dia 15 de janeiro?! Nada a ver. Agora a Lua Nova é a de Capricórnio!) E como vamos chamá-la? Aceito sugestões.

Se a Lua Nova Bárbara o mundo expandiu, agora, o mundo se contrai. E este é o ritmo sempre: expansão-contração até o fim dos tempos. É como respiramos. Signos de Fogo (Áries-Leão-Sagitário) e Ar (Gêmeos-Libra-Aquário), expandem. Signos de Terra (Touro-Virgem-Capricórnio) e Água (Câncer-Escorpião-Peixes), contraem.

Se calcularmos a lunação Cabra-da-Peste para Brasília, teremos o signo de Capricórnio ascendendo, Plutão-Mercúrio, Nodo Norte-Sol-Lua-Vênus, todos, em Capricórnio. Quer mais Cabra com Rabo de Peixe ou tá bom pra você? Esta é a lunação que velará a perda de Zilda Arns e de mais brasileiros no terremoto que devastou o Haiti anteontem, dia 12. Lula e demais presidenciáveis vão prestar homenagens a criadora e responsável pela Pastoral da Criança. O Brasil está de luto.

E tem gente que se pergunta, perplexo: “Por que a Zilda? Por que a Zilda? Por que a Zilda? E não o Presidente do Congresso?” Maldade.

Saturno, dono do Ascendente da lunação no Brasil, encontra-se alto, na casa 10, em Libra, quadrando Plutão. Justiça implacável é algo deste aspecto. Haverá uma caça às bruxas no Brasil? No mundo? Uma vontade de fazer justiça com as próprias mãos? Ou apenas mais um embaralho das cartas já marcadas? Mais provável apenas o embaralho das cartas para mais uma jogada. Pessimismo, ou pragmatismo capricorniano, como queiram, é uma marca da identidade desta lunação. Bernardo Soares chegou assoando o nariz.

Sob esta lunação, outro assunto que também se apresenta é a política! Saturno em Libra, um bando em Capricórnio, exercem política diplomática (Brasil no Haiti), quanto a política doméstica que prepara a sucessão presidencial. Começou o circo de horrores. Saturno, como disse ontem, volta a outubro de 2009. Os donos do poder retomam a ideia de como fatiar a pizza de Poder do Lula. Política de alianças (Saturno em Libra), estratégia de guerra (Capricórnio). A nós, simples mortais, resta observar e farejar os acordos políticos que estarão sendo construídos bem debaixo do nosso nariz. E é claro que a merda da corrupção e escândalos políticos continuarão a jorrar no ventilador da briga política. O valetudo político começou. Mas não é sob esta lunação que veremos o estrondo retumbante, apenas alguns ruídos. Afinal, há um velório a velar. Enquanto isso, o Arruda quer por que quer continuar em Brasília.

E para nós, reles? O que diz esta lunação?

Capricórnio exige responsabilidade com o tempo, compromisso com a capacidade de produzir e disciplina e perseverança a um propósito. Tudo isso para nos tornarmos um pouco mais pedra, pedregulho, rocha ou rochedo – pedra não tem medo de ser imortal. Então, um brinde à Lua Nova da Cabra de Aço. Mercúrio volta a andar pra frente, hoje amanhã. Saia da frente então, porque a língua será assertiva, tapa na cara, quando solicitada.

Para Lá
Adriana Calcanhotto
Composição: Arnaldo Antunes / Adriana Calcanhotto

Se toda escada esconde
Uma rampa
Ampara o horizonte
Uma ponte
Para o oriente
Um olhar
Distante

Em volta de um assunto
Uma lente
Depois de cada luz
Um poente
Para cada ponto
Um olhar
Rente

E a montanha insiste em ficar lá
Parada
A montanha insiste em ficar lá
Para lá
Parada
Parada

Diante do infinito
Um mosquito
Em torno de um contorno
Gigante
Cada eco leva
Uma voz
Adiante

Decanta em cada canto
Um instante
De dentro do segundo
Seguinte
Que só por um momento
Será
Antes

E a montanha insiste em ficar lá
Parada
A montanha insiste em ficar lá
Para lá
Parada
Parada

___________________________________________

Amanhã teço mais comentários.

Tags: ,
Microróscopo – sobre os signos do zodíaco
Horóscopo do Dia
Clique aqui
O céu do dia
Twitter Karen Tortato
    follow me on Twitter
    seções
    Procure
    arquivos
    Receba a newsletter

    Seu e-mail (obrigatório)

    Doe um grão!
    Saturnália é uma festa da Astrologia + cultura urbana em homenagem ao deus das sementes e do tempo, Saturno. Não recebe fundos governamentais muito menos ajuda do Maranhão. Caso você entenda e queira doar um grão à celebração, clique no botão a seguir:
    Io!
    Theme Credit: