Salve, Saturnálicos! Terça-feira forte. O céu instável de ontem se estabiliza hoje – a não ser que a terra resolva esticar as pernas. É que a Lua chega em Capricórnio já pela manhã ativando Saturno e Plutão, os responsáveis pelo terremoto no Haiti, Alice. Enfim, chegamos ao fim de mais uma lunação – a da montanha que insiste em ficar lá parada. A montanha é metáfora do propósito. Avistou qual é a sua? É a montanha que nos mira, Karen Tortato. Karen saiu no jornal da província, ontem. Clique, aqui, para vê-la. Aliás, Karenzita, as aulas de astrologia não começam hoje, apenas em março. O que começa hoje são as minhas aulas de Direito. Viu, Alice, o que acontece trabalhar demais e não ter tempo para ver os amigos? E aí até faz uso do horóscopo do bairro para mandar recados. Mas o tempo dos amigos, está chegando, é o tempo da lunação de Aquário, dia 14, signo solar da Karen. O Saturnália vai montar bloco carnavalesco em Curitiba. Bloco da Cerveja QUENTE (bem carregado no sotaque, por favor). Ou teremos a marcha dos zumbis? Michael Jackson ressuscitado. Ok, estamos em clima de confetes e serpentinas, mas hoje é dia sério. Lua em Capricórnio quadrado a Saturno, conjunto a Plutão, dia de esquadros, o finalmente da lunação da Cabra, persistente e misteriosa. No fim do dia, Lua pisca pro marinheiro. Terça, dia de Sorte.
Uma poesia nefasta pra iniciar os trabalhos de agora…Lua envolve Capricórnio, eu entendo o que se passa:
MONÓLOGO DE UMA SOMBRA
Augusto dos Anjos
“Sou uma Sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras…
Pólipo de recônditas reentrâncias,
Larva de caos telúrico, procedo
Da escuridão do cósmico segredo,
Da substância de todas as substâncias!
A simbiose das coisas me equilibra.
Em minha ignota mônada, ampla, vibra
A alma dos movimentos rotatórios…
E é de mim que decorrem, simultâneas,
A saúde das forças subterrâneas
E a morbidez dos seres ilusórios!
Pairando acima dos mundanos tetos,
Não conheço o acidente da Senectus
– Esta universitária sanguessuga
Que produz, sem dispêndio algum de vírus,
O amarelecimento do papirus
E a miséria anatômica da ruga!
Na existência social, possuo uma arma
– O metafisicismo de Abidarma –
E trago, sem bramânicas tesouras,
Como um dorso de azêmola passiva,
A solidariedade subjetiva
De todas as espécies sofredoras.
Como um pouco de saliva quotidiana
Mostro meu nojo à Natureza Humana.
A podridão me serve de Evangelho…
Amo o esterco, os resíduos ruins dos quiosques
E o animal inferior que urra nos bosques
É com certeza meu irmão mais velho!
Agora a paz e a solitude, que sempre é melhor que a solidão.
(Kris, vamos transmutar essa loucura “diavólica” em delicadeza e paz entre os humanos loucos!)
A tríade da leveza…silêncio!
Volto pra minha Lua em Capricórnio com minha ídola Adriana Calcanhoto que sabe traduzir o que passa na mente destas lunáticas “pé-no-chão” caprinas…
Boa Tarde e limite-se ao silêncio e a serenidade, ou não!
O dia amanhece com a Lua no signo do Arqueiro. Para o alto e avante, esse é ainda o clima da manhã. Depois, no iniciozinho da tarde, a Senhora do céu ingressa Capricórnio. Autocontrole e determinação. Lua na cabra não é mãe, é madrasta. Primeiro o dever, depois o prazer. Lembrei do Nei Lisboa, ele mesmo com a Lua em Capricórnio:
Só
Nem ao menos Deus por perto
Mil idéias brilham
Mas não molham meu deserto
E já faz tempo
Que eu escuto ladainhas
As minhas, as ondas do verão
Que irão bater na mesma tecla
A mesma porta
Baladas de uma época remota
Não há saídas
Só delírios de outro Midas
Lambendo a tua cruz
É ouro que reluz
Oh, mama
Não vale a pena pagar
Um centavo, um retalho de prazer
Oh, mama
Eu quero é morrer
Bem velhinho, assim, sozinho
Ali, bebendo um vinho
E olhando a bunda de alguém
Só
E apesar de tudo estranho
Tenho inimigos que me amam
Fantasmas
Garçonetes em Pequim
É sempre alguém
Alguém que pensa em mim
Enquanto o palco acende a luz do soul
A banda passa e a bossa-massa o business-show
Romanos
Encharcados de poção
Vivemos de paixão
E alguma grana
Oh, mama
Não vale a pena pagar
Um cigarro, um centavo de prazer
Oh, mama
Eu quero é morrer
Bem velhinho, assim, sozinho
Ali, bebendo um vinho
E olhando a bunda de alguém
Só óooo
Muito além do jardim
Viajo atrás de sombras
Não sei a quem chamar oo
Mas sei que ela diria ao acordar:
Tudo bem…
- Você me arrasou, meu bem
Qualquer dia desses como as tuas bolas
Mas por hora esqueça o drama na sacola
Não puxe o cobertor
Não tape o sol que resta nessa dor
Foi bom, não durou
Oh, mama…
O dia segue sem muita conversa, sem muito drama. A gente passa o dia a atravessar o próprio deserto, vastae solitudines, ou imensos desertos, enquanto conversa com os próprios botões. Quem não os atravessa, nunca encontra oásis. A Lua casa com Plutão hoje. A introspecção é nossa mãe e madrasta. E depois quadra Saturno. Dia circunspecto sem muita brincadeira, não. Bom para cavar recursos, adentrar a própria mineira pessoal e construir galerias de acesso a si mesmo. Com olhar sério.
A Vênus em Escorpião chega no grau exato da quadratura com Marte em Leão. Ponto máximo da fervura, ebulição. As relações passam pelo raio X. E se vc estiver carregando metais tóxicos, não troca de estação, não voa não. Tem que desintoxicar antes. E não vale a pena guardar veneno, metais tóxicos no sangue e no coração, né?
Algumas relações renascem, se revovam. Outras precisam de um fim. Fim com F maiúsculo. Algumas pessoas ficam juntas só sentindo o cheirinho de podre uma da outra, porque não conseguem dar fim a um relacionamento. Antigamente, os antigos faziam assim, ó: devolviam tudo, cartas e presentes. Era um rito, era um rito necessário para dar um fim. Assim como chorar defunto. Os antigos sabiam de tudo.
A Adriana Calcanhoto, ela também com Lua em Capricórnio, canta esta composição de Renato Barros e Lilian Knapp:
E sabe, o parceiro (a) que temos é nosso parceiro (a) interno, o que carregamos dentro. É a casa 7, a casa das relações, das parcerias, do ‘outro’ que somos nós, também. Por isso, sou da opinião que qdo a gente quer mudar uma relação, a gente começa dentro da gente, de dentro pra fora. Daí se o parceiro (a) muda junto, beleza pura. E é lindo demais assistir/participar disso. Senão, beleza tb. O mundo está cheio de gente especial para quem é disposto.
Mas hoje mesmo a Vênus já se afasta da quadratura, baixando o fogo, aos poucos. Cabeça fria para se decidir e agir. Afinal de contas o fim do mundo não é amanhã, é em 2012, né? ou 2035. Não lembro bem.
Uma coisa é certa: Saturno está em Libra, ainda, quadrando Plutão. E a Vênus em Escorpião, por isso as relações e as parcerias estão todas ali no caldeirão. E a gente é reponsável pelo escuro do nosso mundo, é o que diz esta lunação.
E vou de Nei Lisboa, de novo, pra fechar, para pôr coração:
Buon giovedì, dia de Júpiter, a quem enxerga no escuro e, também, a quem sabe se comprometer.
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Io!